Botânica
O morangueiro
pertence à família Rosaceae, subfamília Rosoidea, tribo Potentilla
e gênero Fragaria. As espécies comercialmente importantes são as
européias Fragaria vesca L.(diplóide), F. moschata Duch
(hexaplóide) e F. viridis Duch (diplóide), as americanas F.
virginiana Duch (octoplóide) e F. chiloensis L (octoplóides), as
híbridas F. virginiana x F. chiloensis = F. ananassa
(octoplóide) e as remontantes F. ananassa x F. vesca.
O morangueiro é uma planta herbácea estolonífera, perene, com caule semi-subterrâneo,
conhecido como coroa (caule modificado). A coroa apresenta um tecido condutor
periférico em espiral nos dois sentidos unido às folhas. A medula é proeminente
e muito suscetível às geadas. Na medida que a coroa envelhece pode originar de 8 a 10 novas coroas.
As folhas se originam da coroa de forma helicoidal com forma e cor variando
conforme a cultivar. Em geral, são trifoliadas com um par de estípulas
triangulares na base. Às vezes, apresentam um par de pequenos folíolos abaixo
dos normais. Os folíolos são dentados, de cor verde escuro na face superior e
acinzentada e pilosa na inferior. As folhas têm entre 300 a 400 estômatos/mm², um
número bem maior que os de outras culturas, como por exemplo, da macieira, que
possui 246 estômatos/mm². Esta característica faz que a cultura seja muito
sensível à falta de água, baixa umidade relativa, alta temperatura e
intensidade e duração da luz.
O morangueiro possui estolões ou caules que se desenvolvem a partir das gemas
basais das folhas, crescem sobre a superfície do solo e tem a capacidade de
emitir raízes e dar origem a novas plantas. O pedúnculo floral é ereto
curvando-se após a polinização. As flores são hermafroditas e hemicíclicas. O
cálice é formado por brácteas unidas na base. As pétalas são livres, lobuladas,
brancas ou avermelhadas, dispostas ao redor do receptáculo proeminente o qual,
após a fecundação dos pistilos, se transforma no "morango". Desta
forma, os "morangos" são frutos falsos, sobre os quais se encontram
os aquênios, que são os frutos verdadeiros (Figura 1).
Os estames são em número superior a 20, são numerosos e estão localizados ao
redor do receptáculo. Os estames possuem filamentos longos ou curtos, que podem
apresentar anteras férteis ou estéreis. Os pistilos são numerosos (entre 200 e
400), tem ovário com um só óvulo e dispostos em forma de espiral.
As raízes originam-se das coroas na forma de um sistema fasciculado. As raízes
crescem principalmente nas épocas de dias curtos, menor do que 12 horas de luz.
No outono e no início do inverno, é necessário utilizar cobertura plástica para
elevar a temperatura do solo, condição que favorece o crescimento radicular.
A cultura responde de forma diferente às combinações de temperatura e de
comprimento do dia. Assim, a formação de estolões e o desenvolvimento de folhas
são favorecidos sob condições de dias longos e temperatura elevada, a indução
floral ocorre com temperatura baixa e dias curtos e a frutificação, em dias
longos e temperaturas amenas.

Detalhamento do fruto do morango.
Polinização
A polinização
do morangueiro depende do transporte do pólen pelo vento e por insetos, e é
crítica para a produção econômica. Em condições naturais, geralmente a
polinização é deficiente. Pistilos com problemas de polinização originam frutos
deformados. O pólen é liberado durante dois ou três dias, entre 9 e 17 horas.
Para que ocorra a polinização, a temperatura mínima deve ser de 12°C e a umidade relativa
inferior a 94%.
Recomenda-se colocar conjuntos, de no mínimo, 4 caixas de abelhas próximo a
área de plantio. Utiliza-se, como atrativo para as abelhas, principalmente no
início da floração, mel, água e açúcar, dando ênfase a essa prática nos
períodos desfavoráveis para atividade das abelhas (temperatura baixa).
PREPARAÇÃO DO CANTEIRO
O morangueiro
pode ser cultivado de várias formas. No solo em condições normais, no solo com
o emprego de cobertura plástica, em túneis baixo, em estufas e nos sistemas
hidropônico e semi-hidropônico o uso de solo ou de substrato. A seguir, são
apresentadas as principais práticas que devem ser seguidas para se obter uma
cultura produtiva.
Escolha do local
A área de
produção deve estar localizada em terrenos levemente inclinados, não
ultrapassando 2 a
3% de inclinação, com boa exposição solar e adequada drenagem. Recomenda-se o
uso de estufas e túneis baixos, porque permitem a produção de frutos de melhor
qualidade, reduzindo as perdas por geadas ou excesso de chuvas.
Rotação de culturas
Os plantios de
morangueiros não devem ser feitos em áreas onde foi mantido um viveiro ou uma
área de produção desta mesma cultura, pois neste solo se acumulam agentes
patogênicos que irão danificar as mudas do novo plantio. Para diminuir este
risco, recomenda-se fazer na área uma rotação de culturas (adubação verde) que
deverá incluir aveia (60 a
80 kg de
sementes por ha) ou azevém (25
a 30 kg
de sementes por ha) no inverno seguido de milho (30 kg de sementes por ha) ou
milheto (15 kg
de sementes por ha) no fim da primavera-verão. O milho ou o milheto é
incorporado ao solo quando a cultura estiver florescendo. Quando do uso de
leguminosas na adubação verde para o morango, como é o caso da ervilhaca,
recomenda-se incorporar a ervilhaca ou outra leguminosa antes do florescimento,
incorporando-se no solo a matéria verde dessas culturas. Após a incorporação
das culturas deve ser feita a adubação orgânica (cama de aviário, esterco,
composto orgânico, etc.) ou aplicar parte da adubação nitrogenada recomendada
para a cultura.
Adubação de base
O pH ideal
para a cultura do morangueiro é 6,0. A análise do solo (completa) deve ser
feita no mínimo 120 dias antes do plantio, corrigindo-se a acidez com
antecedência de pelo menos 90 dias. O calcário deve ser incorporado ao solo a
uma profundidade de 20 cm.
Quando a necessidade de calcário for superior a 3,0 toneladas (PRNT 100%) por
hectare, a dose recomendada deverá ser parcelada em 2 vezes. A primeira
aplicação deverá ser realizada no plantio da cobertura verde na primavera
(setembro). A segunda aplicação deverá ser realizada quando da incorporação da
massa verde (janeiro), juntamente com a adubação orgânica.
A adubação de correção é realizada com fósforo e potássio, corrigindo-se de
acordo com as recomendações oficiais de adubação e de calagem adotadas nos
estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (Tabela 3). Quando o teor de
boro estiver abaixo de 1,0 mg dm-3 (Extraído com água quente)
deve-se fazer a correção. Recomenda-se aplicar 4,0 kg de boro por ha, em
área total, juntamente com a adubação verde.
Tabela 1. Interpretação dos teores de fósforo e potássio
|
Interpretação do teor
|
Faixa de Teor (mg dm-3)
|
Doses de fósforo
(kg P2O5/ha)
|
Doses de potássio
(kg K2O/ha)
|
Fósfoto1
|
Potássio2
|
Muito-Baixo
|
< 4,0
|
> 20
|
260
|
200
|
Baixo
|
2,1 - 8,0
|
21 - 40
|
220
|
160
|
Médio
|
8,1 - 12,0
|
41 - 60
|
180
|
120
|
Alto
|
12,1 - 24,0
|
61 - 120
|
120
|
80
|
Muito-Alto
|
> 24,0
|
> 120
|
< 90
|
< 60
|
1. Solos com teor de argila variando de 21 a 40% (Classe 3).
2. Solos com CTCpH 7,0 variando de 5,1 a 15,0 cmolc dm-3.
|
|
A matéria
orgânica é muito importante para o cultivo do morangueiro, devendo manter-se um
nível superior a 3%. Esta é necessária para melhorar as condições físicas e
biológicas do solo e proporcionar melhor aproveitamento dos adubos químicos.
Solos com bom teor de matéria orgânica são mais leves, drenam melhor a água da chuva,
armazenam mais água e têm maior vida microbiana. Os adubos orgânicos utilizados
devem ser bem curtidos para evitar danos às plantas. A adubação deverá ser
feita depois do sulcamento, incorporando com ancinho no momento do abaulamento
do canteiro. Na cultura do morangueiro são recomendados de 30 m3/ha de cama de
aviário contendo, no mínimo, 2,5% de nitrogênio .
O feijão miúdo consorciado ao milho apresenta problemas de incorporação devido
à grande massa verde formada. A mucuna-anã é a leguminosa que tem proporcionado
os melhores resultados na região de Pelotas, não apresentando problemas de
incorporação da massa verde.
Preparo do canteiro
Após a
lavração ou a subsolagem, deve-se preparar o canteiro. A adubação química deve
ser feita depois do sulcamento, incorporando-se a terra com o ancinho, no
momento de abaular os canteiros. No entanto, no Vale do Caí, é realizada a
subsolagem (quando necessária), lavração, adubação química e orgânica, gradagem
e posteriormente o encanteiramento.
O canteiro pode ser feito com o uso de um sulcador tracionado por microtrator.
Também pode ser feito por um encanteirador, também tracionado por trator, que
tem 3 ou 4 sulcadores e deixa 2
a 3 canteiros prontos a cada passagem ou através do uso
da enxada rotativa que deixa, a cada passagem, um canteiro pronto.
A construção dos canteiros objetiva principalmente facilitar a drenagem visto
que o cultivo é realizado durante o inverno (período chuvoso). A disposição dos
canteiros na lavoura poderá ser feita no sentido da declividade do terreno, não
havendo problemas de erosão causada pela chuva, visto que os canteiros são
recobertos pelo filme plástico e, nos caminhos, deve ser colocada casca de
acácia, acículas de Pinus ou outros materiais para prender as bordas do filme
plástico. Não se recomenda o uso do engaço da uva como material de cobertura,
pois o mesmo pode estar contaminado com Botrytis, um dos principais patógenos
desta cultura. A largura do canteiro deverá ser de 80 a 90 cm no topo, ficando cerca
de 50 a 60 cm destinado ao caminho. A
altura do canteiro deverá ser de 20
a 30 cm
nos terrenos planos e 15 no cm nos terrenos inclinados. É fundamental abaular o
canteiro , deixando o centro 15
cm mais alto que os lados. Consegue-se isto retirando a
terra do caminho e jogando-a para cima do canteiro com o auxílio de uma pá.
Depois, com o uso de um ancinho a terra é puxada para as bordas, dando a forma
abaulada.
A parte central do canteiro deve ser mais alta para não empoçar a água da chuva
ou da irrigação, facilitando o escorrimento pelo plástico e a entrada de água
através dos furos do filme onde estão as mudas. Além disso, não irá ocorrer
excesso de umidade no solo. Outra razão deste preparo do canteiro, é que o
mesmo facilita o assentamento do filme plástico no canteiro, não ficando frouxo
e vindo a vibrar, sacudindo-se com o vento.
Para que o filme plástico fique bem assentado no canteiro, deve-se passar o
ancinho e destorroar a terra para não permanecerem torrões ou pontas que venham
a perfurar o filme e ocasionar menor duração no canteiro.
PLANTIO
O
plantio do morangueiro é feito através de mudas. Para o plantio, devem-se obter
mudas de viveiristas idôneos, produtivas e livres de doenças e pragas. As mudas
devem ser produzidas em regiões altas e frias, para assegurar a qualidade.
Escolha da muda
A qualidade de uma muda é um dos fatores que assegura o sucesso de um cultivo e
se traduz em boa produção e produtividade. Uma muda de boa qualidade de
morangueiro deve ser de vigor mediano (não muito viçosa), medir cerca de 15 cm, medidos entre a ponta
do rizoma até a ponta das folhas, possuir bom sistema radicular e não ter
nenhum sintoma de qualquer doença e praga. As mudas utilizadas devem ser
fiscalizadas, de origem conhecida, originárias de material básico indexado e
possuírem coroa com diâmetro em torno de 1,5 cm.
Época do plantio
O morangueiro é uma planta muito sensível às condições climáticas. Assim, uma
cultivar que produza bem numa determinada região poderá não se adaptar em
outra, produzir menos ou ser mais atacada por pragas ou doenças. A época ótima
de plantio é diferente para cada região e cultivar. A caracterização do vigor
para cada cultivar é apresentada na Tabela 1.
Tabela 1. Características de vigor e fotoperíodo das principais
variedades de morangueiros.
|
Cultivar
|
Vigor¹
|
Fotoperíodo²
|
Oso Grande
|
M
|
C
|
Camarosa
|
A
|
C
|
Dover
|
B
|
C
|
Konvoy Cascata
|
M
|
C
|
Vila Nova
|
M
|
C
|
Santa Clara
|
M
|
C
|
Sweet Charlie
|
M
|
C
|
Toyonoka
|
M
|
C
|
Aromas
|
M
|
N
|
Diamante
|
M
|
N
|
Seascape
|
M
|
N
|
Verão
|
M
|
N
|
Capitola
|
M
|
N
|
Selva
|
M
|
N
|
A=
Alto; M= Médio; B= Baixo. 2.
C = Dias Curtos; N = Neutro
Fonte: Embrapa Uva e Vinho
|
Preparo da muda antes do plantio
Deve-se tomar cuidado ao retirar as mudas do viveiro, irrigando-se o solo para
soltar a terra e facilitar o arranquio das mudas. A umidade do solo evita danos
no sistema radicular, à folhagem e à coroa no momento de serem arrancados. Após
o arranquio, deverão ser feitos feixes de mudas, colocadas em caixas ou engradados
para evitar a compactação. O transporte deve ser feito em veículos com
carrocerias fechadas ou cobertas com lona, para evitar que o ar venha secar as
folhas e as raízes, o que dificultaria o pegamento das mudas.
Ao chegar na lavoura, caso necessário, deve-se fazer a poda no
sistema radicular, deixando as raízes com 10 cm de comprimento. Deve-se tirar algumas
folhas deixando-se somente 2 a
3 sadias. Como normalmente trabalha-se com grande número de mudas e estas devem
ser plantadas no mesmo dia, estando prontas para o plantio, deve-se mantê-las à
sombra e umedecê-las levemente. Em condições de temperatura elevada e umidade
do ar baixa, torna-se necessário umedecer as mudas para que não desidratem e se
assegure bom pegamento na lavoura.
O plantio deverá ser feito de preferência, sob condições de
temperatura amena. Logo após o plantio, deverá ser realizada irrigação por
aspersão, para proporcionar bom pegamento das mudas na lavoura.
Irrigação
Para a irrigação, é importante analisar a água quanto a presença de coliformes
fecais e metais pesados. Devem ser utilizadas uma ou duas linhas de tubos
gotejadores por canteiro, espaçando-se os gotejadores 10 cm entre si. Nos casos
onde há argila em suspensão na água, devem-se instalar filtros de areia ou
decantadores no sistema de irrigação e filtros de disco para reter partículas
maiores. Do plantio até a cobertura do solo, recomenda-se irrigar por aspersão.
A partir daí, recomenda-se irrigar por gotejamento, sendo instalado o sistema
antes da colocação da lona plástica.
Plantio
A maneira tradicional de se fazer o plantio das mudas é a manual. A muda deve
ser preparada (toalete), deixando somente as 3 folhas mais novas. A raiz poderá
ser cortada, deixando-a com 10 centímetros. Ao plantar, deve-se ter o
cuidado de enterrá-la sem dobrar as raízes, cuidando-se para não enterrar a
coroa ou o coração da muda e distanciadas 30 a 40 cm entre si. Com o auxílio do dedo indicador
e do médio estendidos e juntos, dobrando-se o anelar e mínimo. enterra-se estes
dois dedos no solo, deixando-se um buraco na forma de cova. Após o plantio
devem ser cobertos com terra o rizoma e as raízes.
Deve-se ter os seguintes cuidados ao plantar:
- quando se fizer a cova cono
solo deve-se evitar fazer uma depressão na terra. Isto causa a acumulação
de solo no coração da muda, prejudicando o pegamento;
- para a cv. Campinas e a cv.
Chandler, a coroa da muda deverá ficar um pouco acima do nível da terra (1 cm) para que a planta
emita raízes ao longo do rizoma, para a cv. Oso Grande, deve-se enterrar a
metade da coroa para que a planta emita raízes do rizoma logo abaixo da
coroa.
Cuidados após o plantio das mudas
Uma vez plantadas as mudas, deve-se fazer uma irrigação por aspersão no final
da tarde, para que a terra encoste nas raízes e a planta possa absorver água e
os elementos nutritivos do solo e haja bom pegamento das mudas.
Sob condições de pouca chuva, é necessário irrigar a plantação
por um período de 10 dias para que se forme um bom sistema radicular. Durante o
dia deve-se fazer cinco ou mais irrigações, sendo de 10 minutos cada, nas horas
mais quentes do dia, com o intuito de fornecer água ao solo e baixar a
temperatura do ambiente. Quanto mais quente for o dia, maior deve ser o número
de irrigações. O produtor também deverá controlar o aparecimento de grilos,
lagartas e formigas na lavoura, pois podem causar severos danos às mudas,
diminuindo seu pegamento e ocasionando falhas na cultura.

Vistas de longe, as cascatas de
folhagem verde-escura, entre as quais destaca-se o vermelho de pequenos frutos
brilhantes, mais parecem obra de um paisagista. Qual o quê. A beleza, no caso,
é apenas um efeito colateral do novo tipo de cultivo de morango, a hidroponia
vertical em substrato, técnica conhecida na Europa desde a década de 70 e que
acaba de ser adaptada para a realidade brasileira pelos agrônomos Flávio
Fernandes e Pedro Furlani, pesquisadores da Estação Experimental de Agronomia
de Jundiaí do IAC, o instituto agronômico paulista. Waldemar Carbonari,
produtor de morangos há mais de 40 anos em Jundiaí, foi um dos primeiros a se
encantar e adotar a novidade
A produção de morango hidropônico - cultivo sem solo em
estufa no qual a planta se alimenta de macro e micronutrientes (fósforo,
nitrogênio, potássio e sais minerais, entre outros) ofertados na água - no
sistema de bandejas horizontais já é uma técnica conhecida. A hidroponia
vertical, explica Fernandes, apenas maximiza os bons resultados, além de
acrescentar outras vantagens. Relativamente simples, consiste em plantar as
mudas em compridas sacolas ou tubos de polietileno, recheados com casca de
arroz carbonizada e irrigadas com a solução hidropônica. “A casca de arroz é só
um suporte onde as plantas fixam suas raízes e que também retém o alimento
líquido. A hidroponia vertical permite sobretudo grande ganho de espaço nas
estufas, se comparada à horizontal”, diz o pesquisador.
Orientado por Furlani, Fernandes desenvolveu sua tese de
mestrado sobre o assunto, o que o levou a experimentar e comparar várias formas
de manejo, materiais e medidas. Para o tubo de polietileno, as medidas mais
adequadas, levando-se em consideração o aproveitamento do espaço e as
facilidades de manejo, são altura de 2 metros e diâmetro de 20 centímetros, o
que lhe confere capacidade para 63 litros de substrato, no caso, a palha de
arroz. “Optamos pela palha de arroz porque ela é estável física e quimicamente,
o que a torna mais resistente à decomposição. Ainda estou finalizando o
experimento, mas creio que a carbonização permite que esse substrato seja usado
por duas safras consecutivas”, diz Fernandes, que também está testando o
potencial da fibra do coco e da casca de arroz não carbonizada com vermiculita
(pequenos torrões de barro).
SEM DESPERDÍCIO
A
ocupação da estufa é feita com um tubo por metro quadrado, com espaçamento de 1
metro entre cada um e entre as fileiras. O plantio das mudas, 28 por tubo (ao
longo da sacola, são sete grupos de quatro mudas plantadas diametralmente),
também é simples. Depois que o substrato foi encharcado com água, são feitos
pequenos cortes em “X” no plástico onde as plantinhas são introduzidas num
ângulo de 45 graus. A irrigação dá vazão à solução hidropônica conforme o
estágio de crescimento das mudas, volume que varia de 3 a 6 litros diários por tubo.
“Depois de um tempo, sabemos exatamente qual a necessidade de alimento das
plantas, e não há desperdício da solução. O interessante desse sistema é que
ela se espalha uniformemente por todo o substrato, e só temos que garantir que
o sol bata igualmente em todas as mudas para uma produção parelha”, diz
Fernandes.
Para ter uma noção melhor dos resultados da nova
tecnologia, o pesquisador fez uma comparação entre o cultivo tradicional em
canteiro, a hidroponia horizontal e a hidroponia vertical. “Ocupando o mesmo
espaço na estufa, a produção da hidroponia vertical foi 100% superior à da
horizontal e 120% maior do que a de canteiro”, diz Fernandes, que, com isso,
atingiu um dos objetivos principais da experiência, o melhor aproveitamento das
estufas. As vantagens, no entanto, não se restringem ao incremento da
produtividade.
ADUBAÇÃO
Recomendação de adubação mineral
Não existem recomendações de adubação baseadas apenas nas
análises de solo, e especificas para as diferentes espécies florestais
plantadas nos diferentes tipos de solo. De maneira geral, pode-se recomendar a
seguinte adubação:
Interpretação dos teores de P e K no solo, com base nos
resultados da análise química.
Teores no solo Interpretação
Baixo Médio Alto
P (mg/dm³) menor ou
igual a 3,0 maior que 3 e menor que 7 maior ou igual a 7
K (mmol(+)/dm³) menor
ou igual a 0,5 maior que 0,5 e menor que
1,5 maior ou igual a 1,5
Recomendação de adubação com fertilizante mineral para
eucaliptos, com base nos teores de P e K do solo.
Interp. Interp. N P205 K20 Fórmula kg/ha g/pl
P K
B B 30 120
60 08-32-16
375 220
B M/A 30 120
45 10-30-10
400 240
M B 30 90
60 08-30-20
300 180
M M/A 30 90
45 08-28-16
320 190
A B 30 60
60 08-28-16
220 130
A M/A 30 60
30 10-20-10
300 180
B= baixo; M= médio; A=alta
As quantidades de adubos sugeridas são com base em um
plantio no espaçamento 3m x 2m, o que representa uma população de 1666
árvores/ha.
Adubação de plantio
A regra é colocar o adubo o mais perto possível da muda. O
adubo pode ser aplicado na cova ou no sulco de plantio. No primeiro caso o
adubo deve ser colocado no fundo da cova antes do plantio, bem misturado com a
terra para evitar danos à raiz das mudas No segundo caso o adubo é distribuído
no fundo do sulco de plantio, aberto pelo sulcador, ou outro implemento agricola.
Adubação de cobertura
Embora não seja uma prática comum a adubação de cobertura é
indicada, pois ela complementa a adubação de plantio. No caso de não se fazer a
adubação de cobertura, a quantidade
recomendada para plantio e cobertura
devem ser aplicadas no ato do plantio .
A adubação de cobertura é feita aproximadamente 3 meses após
o plantio. O adubo é distribuído ao lado das plantas, em faixas ou em coroamento. Após
aplicação é recomendado cobri-lo com terra.
Adubação de manutenção
Tem como objetivo fornecer K, Ca e Mg para as plantas. Deve
ser aplicada quando as plantas tiverem de 2,5 a 3,0 anos de idade. Nos caso de solo muito
ácido ou baixos teores de Ca e Mg, é recomendando aplicar juntamente com o
potássio, o calcário dolomitico na quantidade de 2,0 toneladas por hectare.
A aplicação é feita distribuindo o adubo e o Calcário entre
as linhas de plantio. Após aplicação deve fazer uma incorporação superficial,
isto é, a aproximadamente 5,0
cm de profundidade.
CULTIVO
Entre as
muitas cultivares de morangueiro, algumas assumem importância maior no cultivo
para atender a preferência do mercado consumidor, segundo a finalidade: consumo
"in natura", mesa, e para industrialização. Nas regiões do Vale do
Rio Caí e da Serra, o morango se destina preferencialmente para mesa. As
cultivares para mesa de maior importância no Rio Grande do Sul são:
Camarosa
Origem: Universidade da
Califórnia, EUA, 1992. Cultivar de dias curtos, para mesa, precoce, fruto
grande de epiderme vermelha, firme e de bom sabor doce e um pouco ácido,
coloração interna vermelho intenso. Resistente ao transporte. Alto vigor das
plantas.
Campinas (IAC-2712) ou Campineiro
Origem: IAC, Campinas, Brasil,
1960. Cultivar para mesa, boa qualidade. Apresenta pouca exigência em frio,
sendo por isso especialmente indicada para plantios visando colheita precoce.
Fruta de epiderme vermelha média, polpa com textura mole com pouca conservação
do fruto, sabor doce e com aroma fraco.
Chandler
Origem: Universidade da
Califórnia, EUA, 1977. Produz frutos grandes de cor vermelho intenso
externamente e com polpa firme coloração vermelho-clara, resistente ao
transporte e com boa conservação na prateleira para venda. Fruta de melhor
sabor e mais aromática que as duas anteriores. Apresenta o inconveniente de que
a ponta da fruta não amadurece enquanto que o restante está maduro. Cultivar
suscetível à micosferela e altamente suscetível aos fungos de solo. O rácimo
floral apresenta uma única fruta, sendo ereto, como em 'Oso Grande', o que lhe
confere menor resistência às geadas.
Dover
Origem: Universidade da
Flórida, EUA, 1979. Produtividade alta, fruto firme de boa conservação
pós-colheita, porém de pouco sabor. Adequado para mercados distantes das áreas
de produção. Apresenta alta sensibilidade ao ataque de Xanthomonas, tolerância
a fungos de solo. Tornou-se nos últimos anos a cultivar mais plantada no
Brasil.
Guarani (IAC-5074)
Origem: IAC, Campinas, Brasil,
1979 Fruto cônico, sabor ácido, coloração vermelha externa e interna. Boa produtividade.
Mais indicada para industrialização.
Oso Grande
Origem: Universidade da.
California, EUA, 1987. Cultivar de dias curtos, para mesa, fruto grande, firme
e doce e baixa acidez. Possui grande aceitação no mercado. É sensível a fungos
de solo. Produção precoce, a partir de 60 dias após o plantio. O cálice é
formado por sépalas verdes o que dá melhor apresentação da fruta na embalagem.
Produz frutos grandes, de coloração vermelha intensa, com polpa firme, não
muito aromática e resistente ao manuseio e ao transporte. Planta mais tolerante
a micosferela.
Seascape
Origem: Universidade da
Califórnia, EUA, 1991. Cultivar de dia neutro. Fruto grande e firme, coloração
vermelha externa e interna. Sensível a fungos de solo. Mais indicada para
cultivo de verão com plantio, a partir de setembro nas regiões serranas do sul
do Brasil.
Aromas
Origem: Universidade da
Califórnia, EUA. Cultivar de dia neutro, para mesa, fruto com bom tamanho,
precoce, coloração vermelho brilhante, bom sabor, vigor médio, indicada para o
cultivo de verão (plantio a partir de setembro). Cultivar para região da Serra
Gaúcha. É relativamente resistente ao oídio. Vigor médio das plantas.
Diamante
Origem: Universidade da
Califórnia, EUA. Cultivar de dia neutro. Como a Aromas, também é relativamente
resistente ao oídio.
Vila Nova
Origem: Espanha, Valência.
Cultivar de dias curtos, produtiva, bom sabor, subácida, frutos de dupla
finalidade e vigor médio das plantas.
Capitola
Origem: Universidade da
Califórnia, EUA, 1983. Fruto grande, doce com acidez elevada e vigor médio das
plantas.
Selva
Origem: Universidade da
Califórnia, EUA. Cultivar de dia neutro, produtividade média, frutos
irregulares, frutos firmes, suculentos e sabor subácido.
COBERTURA DO SOLO
A
cultura comercial do morangueiro não deve prescindir do uso da cobertura do
canteiro com o filme plástico preto, de espessura mínima de 25 micras e largura
de 1,60 m.
Colocação do
filme plástico no canteiro
O filme plástico deverá ser colocado 20 a 30 dias após o plantio das mudas do
morangueiro. Caso aparecerem muitas invasoras no canteiro, o filme poderá ser
colocado antes.
Para facilitar a colocação do filme plástico, deve-se cravar uma
estaca de 20 cm
ao lado de cada muda, de maneira que fique uns 10 cm acima do nível do solo.
O filme plástico vem enrolado como uma bobina, devidamente
dobrado. Deve-se puxar o filme plástico por cima do canteiro, tendo-se o
cuidado de não deixar firmar-se nas estacas que estão ao lado das mudas,
evitando-se assim que não rasgue e que o seu tamanho fique um pouco maior do
que o canteiro, devendo-se então cortá-lo. A parte dobrada do filme deve ficar
mais ou menos no meio do canteiro, de maneira que o outro lado do filme cubra
parte do caminho. Numa das pontas, desdobra-se o filme e na cabeceira do
canteiro se faz um valo de 15
cm de profundidade, transversal ao canteiro, enrola-se
numa taquara o filme, coloca-se a taquara neste sulco e enche-se com terra,
compactando-se logo após. A seguir, um operário vai desdobrando ou abrindo o
plástico, de maneira que cubra o outro lado do canteiro e parte do caminho. Na
outra cabeceira do canteiro deve-se fazer o mesmo valo, enrolar a taquara no
filme e esticar bem o filme, tendo o cuidado de não rasgá-lo ao ser puxado. Para
isto deve-se levantar um pouco o filme para não pegar nas estacas cravadas ao
lado das mudas. Este operário vai colocando a cada 2 metros uma pá de terra
sobre o filme, tirada do caminho, para que fique preso. Depois de colocado o
filme, vai uma pessoa de cada lado do canteiro furando o filme com os dedos
onde está a estaca, puxando as folhas da muda do morango para fora do filme
plástico, tirando a estaca e tendo o cuidado de não arrancar as mudas.
Procede-se de muda em muda, ficando desta maneira o filme bem assentado no
canteiro. No caso de ser utilizado o sistema de irrigação por gotejamento,
todos os encanamentos e ligações deverão ser feitos antes da colocação do filme
plástico.
A colocação do filme plástico apresenta as seguintes vantagens:
- controle dos inços que
aparecem no plantio;
- como o solo está coberto, a
fertilidade não é afetada pela água da irrigação por aspersão, não levando
os adubos;
- não há a compactação do solo
causada pelas chuvas ou pela irrigação;
- conserva o solo mais úmido;
- o solo não apresenta variação
brusca de temperatura durante o dia e a noite;
- como conserva mais a umidade
no solo, a matéria orgânica é preservada, não havendo variação de
temperatura, a vida microbiana é muito mais ativa do que no solo
descoberto, favorecendo a fertilidade do solo;
- não há respingo de terra nos
frutos quando é feita a irrigação ou quando chove;
- os frutos não ficam em contato
com o solo, apodrecendo menos;
- obtém-se frutos de melhor
qualidade;
Cobertura do
caminho ou passeio
A cobertura do passeio ou do caminho entre os canteiro deve ser feita para
evitar que o vento tire ou rasgue o filme de plástico, evitando-se barro nos
dias de chuva ou irrigação, facilitar as atividades de tratos culturais e
colheita e impedir que os inços cresçam no caminho.
Em regiões ou locais de muito vento, aconselha-se a passar uma
fita de ráfia transversalmente ao canteiro, a cada 5 metros, a fim de prender
melhor o filme, além de fazer a cobertura do caminho com casca de acácia ou
maravalha. Coloca-se uma estaca cravada na terra ao lado do canteiro a cada 5 m de cada lado do canteiro,
amarrando as pontas da fita de ráfia. Este procedimento pode ser necessário,
pois o vento entra pelos furos e pode levantar e rasgar o filme.
ESTUFA
Estufa plástica
A estufa plástica deve ter o comprimento máximo de 40 metros e largura de 8 a 12 metros, altura mínima
do pé-direito de 2,5metros e preferencialmente de 3 metros. O plástico deve
ter espessura de 100 a
150 micras. As janelas devem ser colocadas nos oitões para favorecer a
ventilação. Deve haver proteção lateral com cortinas e saias de 50 cm de altura. Para o bom
manejo da cobertura na estufa, recomenda-se manter as cortinas sempre abertas,
salvo quando ocorrer chuvas, ventos fortes e geadas. Quando é prevista a
ocorrência de chuvas fortes, as estufas devem ficar totalmente fechados, o que
evita o molhamento das plantas. Quando há previsão de formação de geada para o
dia seguinte, as estufas deverão ser fechados com antecedência suficiente para
acumular calor no túnel. A figura 3
a, mostra a produção de morangos em uma prateleira e
colheita no corredor central. A figura 3b mostra as características da estufa
alta para a produção no solo ou em prateleiras com o sistema semi-hidropônico.
A figura 3c mostra a produção de morangos em prateleiras em que se colocam
sacos com substrato, constituído principalmente de casca de arroz.
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Fig 3a. Produção de morangos em uma prateleira e colheita no
corredor central.
Fonte: Luciana
Elena Mendonça Prado
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Fig 3b. Estufa alta para produção no solos ou em prateleiras
com o sistema semi-hidropônico.
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Fig 3c. Produção de morangos em prateleiras nas que se
colocam sacos com substrato constituído principalmente com casca de arroz
|
Diversos
fungos, bactérias e vírus atacam o morangueiro destruindo folhas, caules,
frutos e raízes.
Medidas gerais de controle
As medidas
gerais de controle das doenças são principalmente preventivas, e a principal é
o uso de mudas sadias. Plantas ou mudas atacadas devem ser eliminadas.
Outras medidas fitossanitárias preconizadas são:
- Escolher áreas novas para
plantio;
- Usar sistema de rotação de
culturas, introduzindo na área, depois do morango, outras culturas que
possam dispensar a irrigação (milho, mandioca, batata-doce, entre outras);
- Lavar e higienizar o material
utilizado na propriedade (implementos, ferramentas, caixarias, etc) com
uma solução desinfetante à base de hipoclorito de sódio a 2.5% de cloro
ativo e restringir, ao máximo, as visitas de pessoas às lavouras;
- Utilizar cultivares
resistentes às doenças;
- Retirar e destruir
semanalmente plantas ou partes delas com sintomas das doenças;
- Usar mudas sadias, visto que
grande parte das doenças são introduzidas na lavoura quando plantadas
mudas infectadas;
- Diminuir a dispersão dos
patógenos protegendo as culturas do respingo de gotas de água e interferir
no início da infeção, restringindo a duração do molhamento foliar;
- Definir o controle químico sob
a orientação de técnicos habilitados para recomendar este tipo de
tratamento;
- Usar adubação de acordo com o
recomendado para a cultura;
- Colher os morangos com
manuseio mínimo e resfriamento rápido, até 2 horas após a colheita.
- Utilizar pesticidas com
registro para a cultura (Tabela 1).
DOENÇAS E FUNGOS
Manchas Foliares
Mancha de Micosferela
A Mancha de
Micosferela também conhecida como "pinta",
"mancha-das-folhas" e "micosferela", conforme a região, é
uma das doenças mais comuns do morangueiro, podendo ser encontrada em todas as
regiões onde a cultura é praticada. É causada pelo fungo Mycosphaerella
fragariae (Tul.). Lindau, e ataca principalmente os folíolos. Inicialmente
forma pequenas manchas, arredondadas, de coloração púrpura. Posteriormente, as
manchas se desenvolvem, ficando com cor marrom clara com o centro acinzentado.
Sob condições favoráveis, as manchas podem se juntar evoluindo para toda a
folha. Além das folhas, o fungo pode infectar os pecíolos, cálices e frutos,
porém nestes, é pouco comum.
Controle: Utilizar as práticas gerais de controle. O controle químico
deve ser feito com aplicação de fungicidas registrados para a cultura do
morangueiro. Os fungicidas cúpricos têm apresentado bom controle da doença. Os
fungicidas organos-sintéticos devem ser receitados com os devidos alertas
quanto aos cuidados de uso (dosagens, período de carência, técnicas de
aplicação, riscos de intoxicação), além de evitar a presença de resíduos de
fungicidas nos morangos colhidos. Os fungicidas registrados atualmente (2004)
para o controle desta doença, são dodine, oxicloreto de cobre e tiofanato
metílico.
Mancha de Diplocarpon
A
"Mancha-de-Diplocarpon" é muitas vezes confundida com a "Mancha
de Micosferela". É causada pelo fungo Diplocarpon earliana (Ell. et
Ev.) Wolf. Também é referida como "escaldadura foliar". A doença pode
atacar, além das folhas, os pecíolos, pedúnculos, cálices florais e estolões.
Manifesta-se por manchas irregulares de coloração purpúrea, sem o centro branco
presente na micosferela.
Controle: Uso das medidas gerais de controle. No controle químico são utilizados
fungicidas registrados e indicados para o controle desta doença, citando-se:
dodine e o tiofanato metílico.
Mancha de Dendrofoma
A mancha de
dendrofoma é também conhecida como "Crestamento das Folhas", esta
doença é considerada de importância secundária para a cultura do morangueiro. É
causada pelo fungo Dendrophoma obscurans (Ell. et Ev.) H.W. Anderson, e
ocorre no final do ciclo, principalmente em folhas velhas e quando as
temperaturas são mais elevadas. São manchas arredondadas que podem atingir 5 a 25 mm de diâmetro, com o
centro marrom ou castanho circundado por uma zona purpúrea.
Controle: Utilizar as medidas gerais de controle.
Mancha Angular
A mancha
angular é também conhecida como "mancha bacteriana", esta doença é
causada pela bactéria Xanthomonas fragariae Kennedy & King.
Inicialmente aparecem pequenas manchas angulares, encharcadas, de coloração
verde-clara na face inferior dos folíolos. As lesões aumentam seu tamanho,
tornam-se visíveis, apresentando manchas irregulares, marrom-avermelhadas,
revestidas por um exsudado da bactéria na face inferior da folha. A
disseminação da doença é feita através de mudas contaminadas, sendo favorecida
por outros meios, como água da chuva e irrigação.
Controle: Utilizar as medidas gerais de controle. O controle químico tem
pouca eficiência.
Oídio
Esta doença é
causada pelo fungo Sphaerotheca macularis, embora alguns autores
mencionem o agente causal como S. humilii. É muito freqüente em climas
quentes e úmidos. Manifesta-se sob a forma de manchas esbranquiçadas
pulverulentas inicialmente na face inferior das folhas, de forma e distribuição
irregular sobre as folhas, estolões, flores e frutos. As folhas atacadas
murcham, enrolam-se em direção à nervura central, secam e caem. Esta doença
também afeta os frutos que inicialmente se apresentam descoloridos e manchados.
Controle: Além das medidas gerais, deve-se dar destaque ao uso de mudas
fiscalizadas e mais tolerantes ao oídio, e o uso de fungicidas do grupo dos IBE
e estrobilurinas.
Podridões de
Caules e Raízes
Antracnose
Esta doença se
caracteriza por apresentar manchas necróticas, deprimidas, de cor escura, nos
estolões, pecíolos folhas e frutos. É provocada por várias espécies de Colletotrichum,
dentre as quais são citadas C. fragariae, C. acutatum e C.
gloeosporioides (Glomerella cingulata). Nas plantas infectadas é
verificado apodrecimento seguido de coloração marrom no rizoma, daí ser também
chamada de "doença de chocolate". Os frutos colonizados pelo patógeno
desenvolvem uma podridão seca e escurecem mumificando os frutos imaturos e
apodrecendo totalmente os frutos maduros, às vezes pela invasão dos tecidos por
outros agentes patogênicos. Em condições mais favoráveis de temperatura amena e
alta umidade, pode-se observar sobre as lesões uma massa rósea característica
do fungo. Os conídios contidos nesses locais são dispersados para outras
plantas pelo respingo de gotas de chuva.
Controle: Recomenda-se adotar as medidas gerais de controle de doenças.
Além disto, para diminuir a incidência desta doenças é importante utilizar
mudas produzidas em solos livres da doença, em locais isolados ou afastados das
lavouras destinadas à produção de frutos.
Podridões das Raízes
São causadas
por um complexo de fungos do solo como: Fusarium sp., Rhizoctonia
sp,. Cylindrocladium sp. e Phytophthora sp, entre outros, que
poderão estar associados a nematóides e a outros microorganismos. No sistema
radicular podem aparecer lesões necróticas pardas e, com o avanço da doença, os
tecidos podem se desprender com facilidade.
Controle: As medidas de controle que têm maior efeito para a redução de
perdas causadas por estas doenças são o uso de mudas sadias, o plantio em solo
sem infestação prévia ou onde tenha sido feita a rotação de culturas, a
drenagem adequada e o uso de variedades tolerantes aos fungos do solo.
Podridão por Phythophthora
Esta doença,
causada pelo fungo Phytophthora fragariae e P. cactorum, ocorre
com maior intensidade em solos pesados e sujeitos a encharcamento e se
dissemina no solo pelo escorrimento de água e pelo movimento de solo. Pode
afetar o centro das raízes, onde se constata uma cor avermelhada, e os frutos,
em qualquer estádio de desenvolvimento, podendo atacar, ainda, o cálice e
pedúnculos. A coloração interna das raízes se observa na primavera e é característica
nas plantas com infecção inicial. Os frutos atacados podem assumir uma cor
marrom e apresentar um sabor amargo.
Controle: Às práticas gerais de controle, acrescenta-se o uso de
canteiros altos e bem nivelados. Em situações de ocorrência de manchas com
plantas doentes, recomenda-se o uso de fungicidas específicos para fungos deste
grupo.
Podridão por Rhizoctonia
Causada pelo
fungo Rhizoctonia solani Kühn, esta doença causa a morte das raízes
finas e o escurecimento da raiz principal e, em infecções mais graves, causa a
podridão da coroa e a morte das plantas. A infecção pode atingir as gemas
terminais e os frutos, causando a decomposição e a coloração marrom-clara nos
tecidos.
Controle: Os fungicidas indicados para o controle da podridão por Rhizoctonia
são pouco eficazes e para reduzir as perdas recomenda-se otimizar o manejo da
cultura. O isolado T15 do Trichoderma viride da Embrapa Uva e Vinho
controla este patógeno.
Murcha de Verticillium
A Murcha de
Verticillium é causada pelo fungo Verticillium alboatrum, a "murcha
de verticillium" é uma das principais doenças de morangueiro.
Manifesta-se, inicialmente, nas folhas periféricas mais velhas com sintomas de
murcha, que evoluem para o crestamento e morte da planta. No pecíolo destas
folhas surgem lesões escuras, relativamente profundas. A touceira da planta
afetada pode morrer, ou então, permitir novas brotações em que as folhas se
desenvolvem pouco, deixando a touceira "repolhuda".
Controle: Além das medidas gerais de higiene, dar ênfase ao uso de
cultivares tolerantes e à seleção de áreas não contaminadas. Entre os raros
fungicidas registrados e indicados para o controle desta doença, citam-se os
benzimidazóis
Doenças que
afetam os Frutos
As lesões nos
frutos são causadas por vários microorganismos que podem depreciar os morangos
no aspecto comercial como também no aspecto de segurança alimentar. As
podridões manifestam-se no campo, durante o transporte, armazenamento e a
comercialização dos frutos.
Para a redução das perdas causadas por estas doenças, além das medidas gerais
preconizadas para a instalação e condução da lavoura, é importante manter o
controle da irrigação e evitar encharcamento do canteiro. Recomenda-se o
emprego de práticas adequadas que impeçam o contato direto dos frutos com o
solo. A cobertura dos canteiros com lona plástica ou material inerte de origem
vegetal evita as condições de alta umidade que favorecem o desenvolvimento dos
fungos de solo. Por outro lado, será indispensável que a cobertura das plantas
nos túneis baixos cubra completamente as plantas nos dias de chuva.
Mofo Cinzento
É causado pelo
fungo Botrytis cinerea Pers. & F. sendo também chamado de
"botritis", "podridão seca", ou "mofo cinzento",
devido ao bolor de cor cinza característico que se forma sobre a lesão. Este
fungo coloniza as folhas e cálices como agente endofítico e, nesses tecidos,
inicia a infecção da flor e dos frutos e a produção dos conídios, que são
estruturas de disseminação. Trata-se de uma doença bastante comum, que afeta
mais de 300 espécies de plantas, podendo afetar os frutos em qualquer estádio
de desenvolvimento, provocando o apodrecimento. Infeções iniciais podem se
originar de restos de outras plantas contaminadas. O fungo tem uma fase de
infecção latente nos frutos, o que faz com que frutos aparentemente sadios na
colheita desenvolvam a podridão durante o período de pós-colheita.
Controle: As medidas de controle baseiam-se no uso de cultivares mais
resistentes ao patógeno, com morangos firmes e resistentes ao manuseio de
colheita e a limpeza e destruição semanal de folhas, flores e frutos com
sintomas. O uso do fungo Gliocladium roseum, (Clonostachis rosea)
agente de controle biológico, provou exercer controle desta doença. Entre os
fungicidas registrados e indicados para o controle do Mofo Cinzento, citam-se:
iprodiona, oxicloreto de cobre, procimidona e o tiofanato metílico.
Podridão por Rhizopus
Causada pelo
fungo Rhizopus nigricans Ehr., esta doença ocorre preferencialmente em
pós-colheita, durante o processo de comercialização, embora raramente apareça
na lavoura. É também conhecida como "Podridão Mole", pois o fruto
apresenta-se mole, aquoso, com extravasamento do conteúdo celular.
Controle: A diminuição das perdas causadas por esta podridão é obtida
com a proteção das plantas com o manejo equilibrado dos nutrientes e cobertura
plástica pois a incidência aumenta em frutos que sofreram o molhamento pela
chuva ou irrigação.
Podridão de frutos pela Antracnose
Os agentes
desta doença, tanto o fungo Colletotrichum fragariae, C. acutatum
e C. gloeoporioides /Glomerella cingulata, como Gloeosporium
sp., de modo geral se desenvolvem em condições de umidade e temperatura
elevadas, e os sintomas foram descritos previamente.
Controle: A diminuição das perdas causadas por esta podridão é obtida
com o uso de mudas sadias, com a eliminação semanal das partes doentes das
plantas e com a proteção das plantas com a cobertura plástica e, pois a
incidência aumenta em frutos que sofreram o molhamento pela chuva ou irrigação.
Tabela 1. Fungicidas, inseticidas e acaricidas registrados no
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para uso na cultura do
morango
|
Nome Técnico
|
Produto comercial
|
Dose (g; ml/100L)
|
Carência (Dias)
|
Classe Toxicológica
|
Abamectin
|
Vertimec 18 CE
|
50-75
|
3
|
III
|
Azoxistrobina
|
Amistar
|
96-128 g/ha
|
2
|
IV
|
Cyhexatin
|
Cyhexatin 500
|
50
|
14
|
III
|
Difenoconazol
|
Score
|
40ml/100l
|
7
|
I
|
Dimetoato
|
Tiomet 400 CE
|
3
|
3
|
I
|
Dodina
|
Dodex 450 SC
|
85 ml/100l
|
14
|
I
|
Enxofre
|
Suficamp
|
300
|
SR *
|
IV
|
Fenpiroximate
|
Ortus 50 SC
|
100
|
5
|
II
|
Fenpropatrin
|
Danimen 300 CE
|
65
|
3
|
I
|
Fluazinam
|
Frowncide 500 SC
|
100ml/100l
|
3
|
II
|
Imibenconazol
|
Manage 150
|
75-100g/100l
|
14
|
II
|
Iprodiona
|
Rovral SC
|
150ml/100l
|
1
|
IV
|
Malatol
|
Malathion 1000 CE
Cheminova
|
100
|
7
|
II
|
Malathion 500 CE
Cheminova
|
200
|
7
|
II
|
Malathion 500 CE Sultox
|
200
|
7
|
II
|
Oxicloreto de cobre
|
Ramexane 850 PM
|
250g/100l
|
7
|
IV
|
Pirimetanil
|
Mythos
|
200ml/100l
|
3
|
III
|
Procimidona
|
Sialex 500
|
500-1000g/ha
|
1
|
II
|
Procimidona
|
Sumilex 500 PM
|
500-1000g/ha
|
1
|
II
|
Propargite
|
Omite 720 CE
|
30
|
4
|
II
|
Tebuconazol
|
Constant
|
75ml/100l
|
5
|
III
|
Tebuconazol
|
Elite
|
75ml/100l
|
5
|
III
|
Tebuconazol
|
Folicur PM
|
750g/ha
|
5
|
III
|
Tebuconazol
|
Folicur 200 CE
|
75ml/100l
|
5
|
III
|
Thiamethoxan
|
Actara 250 WGR
|
10
|
1
|
III
|
Tiofanato-metilico
|
Fungiscan 700 PM
|
70g/100l
|
5
|
IV
|
Tiofanato-metilico
|
Metiltiofan
|
90g/100l
|
14
|
IV
|
Tiofanato-metilico
|
Cercobin 700PM
|
70g/100l
|
14
|
IV
|
Tiofanato-metilico
|
Tiofanato Sanachem 500
SC
|
100ml/100l
|
14
|
IV
|
Triforina
|
Saprol
|
150ml/100l
|
2
|
II
|
*
SR - Sem restrições
|
VIRUS
As principais
viroses do morangueiro são causadas por um complexo de vírus transmitidos por
insetos (pulgões), nematóides, e outros vetores. Há relatos de ocorrência no
Brasil, dos seguintes agentes patogênicos: o "vírus da faixa das nervuras
do morangueiro" (Strawberry vein banding virus, SVBV; familia: Caulimoviridae),
o "vírus da clorose marginal do morangueiro" (Strawberry mild
yellow edge virus, SMYEV; genus: Potexvirus), o vírus do
encrespamento do morangueiro (Strawberry crinkle virus, SCV; família: Rhabdoviridae)
e o "vírus do mosqueado do morangueiro" (Strawberry mottle virus,
SMoV). Este último, está proposto como membro tentativo de uma nova família de
vírus biparticulados semelhantes a picornavírus. É rara a ocorrência isolada
destes agentes. Mais comumente formam complexos virais que podem reduzir em até
80% a produção de frutos. Os quatro vírus são transmitidos por pulgões, SMYEV e
SMoV (semi-persistentes) e SVB e SCV (persistentes). Esta característica faz
com que inseticidas de ação rápida possam ser úteis em certas situações. Cerca
de 16 outras doenças causadas por vírus, fitoplasmas e agentes desconhecidos,
infectam o morangueiro em outras regiões, mas ainda não foram relatados no
Brasil.
O manejo e
controle de doenças virais, em qualquer cultivo, é sempre preventivo. Não há
controle após a infecção. Em nossa situação ocorre um impasse porque a oferta
interna de mudas de qualidade é limitada e o produtor é levado a lançar mão de
materiais de origem e qualidade duvidosas. Para reduzir o risco de aquisição e
plantio de material infectado o produtor deve:
- O uso de mudas livres de vírus
é o principal e mais eficaz método de controle e manejo das doenças
virais.
- Adquirir mudas sadias, livres
de vírus, produzidas por viveiristas credenciados e idôneos, provenientes
de matrizes indexadas, obtidas por termoterapia combinada com a cultura de
meristemas.
- Exigir atestado de que as
mudas foram indexadas.
- Arrancar e destruir plantas
com manchas cloróticas ou necróticas e deformadas, com folhas pequenas ou
outros sintomas suspeitos.
- Efetuar o controle de pulgões
respeitando rigorosamente as carências; destruir fonte de pulgões
virulíferos nas proximidades de novos plantios; tarefa difícil, pois Aphis
gossypii, pulgão muito disseminado é um dos vetores.
- Não usar mudas originadas em
lavouras de produção de morangos devido ao alto risco de infecção.
- Eliminar plantas da safra
anterior.
-
Vírus do encrespamento (SCV)
O vírus do
encrespamento (SCV) é um dos mais destrutivos vírus de morangos. Ocorre em todo
o mundo com estirpes cuja virulência vai de muito fraca até severa. Mesmo
estirpes fracas reduzem vigor, produção e tamanho dos frutos de algumas
cultivares. Todas espécies de Fragaria são suscetíveis ao SCV, mas
algumas cultivares infectadas podem não apresentar sintomas. A transmissão por
pulgões é persistente, após a aquisição do vírus, os insetos o retêm por toda
sua vida. Assim, um único pulgão pode transmitir o vírus para várias plantas. A
disseminação é mais rápida com tempo quente.
Clorose marginal (SMYEV)
Enquanto a
doença do encrespamento do morangueiro (SVC) é o mais danoso, a clorose
marginal (SMYEV) é uma das mais disseminadas doenças do morangueiro causadas
por vírus na Ásia, Austrália, Europa, África do Sul e EUA. Ocorre também em Fragaria chiloensis em áreas remotas e
distantes de morangos cultivados, no Chile. Geralmente ocorre em complexos com
mosqueado e encrespamento, na forma de estirpes de virulência variada. Sintomas
iniciais nas indicadoras incluem epinastia e manchamento clorótico. Com o avanço
da infecção, em plantas indicadoras, a clorose se intensifica e os tecidos
infectados tornam-se necróticos. Severidade dos sintomas em campo depende da
estirpe do vírus e da cultivar. Sintomas em cultivares. suscetíveis incluem
nanismo, clorose marginal, distorção de folhas e frutos pequenos. Infecção
conjunta de clorose marginal, encrespamento e mosqueado leva ao declínio da
planta.
Mosqueado do morangueiro (SMoV)
O mosqueado do
morangueiro (SMoV) é considerado o mais comum dos vírus em morangos onde quer
que sejam plantados. O vírus forma muitas estirpes, comumente assintomáticas em
cultivares comerciais, mas estirpes severas podem causar redução de produção de
até 30%. Infecções mistas com outros vírus são comuns. A transmissão é do tipo
semi-persistente como a da "clorose marginal" (SMYEV). A aquisição do
vírus ocorre somente dentro de poucos minutos e o pulgão retém a capacidade de
transmissão por algumas horas. As infecções mistas ocorrem porque uma espécie
de pulgão pode transmitir mais de uma espécie de vírus.
Bandeamento de nervuras (SVBV)
O bandeamento
de nervuras (SVBV) é o vírus de menor ocorrência em morangos, dos quatro
principais transmitidos por pulgões, de forma persistente. Tem baixa incidência
na Austrália, Brasil, Europa, Japão, EUA e Canadá. Cvs. comerciais suscetíveis
sofrem redução de estolões, da produção e da qualidade dos frutos. Infecções
mistas com SVBV e SCV causam perdas mais severas.
Palidose
Deve-se
mencionar ainda doença que merece especial atenção: a palidose, de agente
desconhecido. Ela ocorre nos EUA e na Austrália e afeta F. chiloensis no Chile. Clones de F. vesca são assintomáticas. A palidose
modifica os sintomas de SCV, SVBV, SMYEV e SMV. Recentemente dois vírus,
transmitidos por moscas brancas, foram identificados como potenciais agentes
causais da palidose. A palidose, é latente na maioria das cvs. de morangos.
PRAGAS
Ácaros fitófagos
Os ácaros
fitófagos são pragas que atacam principalmente as folhas do morangueiro,
provocando mosqueado ou clorose, bronzeamento, perda de vigor, redução na
produção, desfolhamento, murchamento permanente, atrofiamento e até morte das
plantas. As espécies mais importantes pertencem às famílias Tetranychidae
e Tarsonemidae.
A família Tetranychidade compreende as espécies mais importantes. O
ácaro-rajado Tetranychus urticae Koch, 1836, é o mais comum, seguido de Tetranychus
desertorum Banks, 1900 e Tetranychus ludeni Zacher, 1913, conhecidos
comumente como ácaros vermelhos.
Na família Tarsonemidade é encontrado o ácaro do enfezamento ou das
gemas (Phytonemus pallidus (Banks, 1899) e o ácaro branco dos ponteiros
(Polyphagotarsonemus latus (Banks, 1904)). Da família Tenuipalpidae,
foi encontrado em morangueiro o ácaro-da-leprose-dos-citros (Brevipalpus
phoenicis Geijskes, 1939).
Ácaro rajado
A fêmea adulta
tem forma ovalada, com o dorso revestido de pequenos espinhos. A cor varia do
amarelo pálido ao esverdeado até o avermelhado nas formas hibernantes.
Apresentam manchas escuras no dorso e um par de ocelos vermelhos na região
dorso-lateral. Os ovos são esféricos e depositados na face inferior dos
folíolos. A espécie é cosmopolita e alimenta-se de uma grande diversidade de
plantas. Ataca as folhas do morangueiro na face inferior onde tecem teia,
ocasionando manchas branco-prateadas. Na face superior, áreas de início
cloróticas, tornam-se bronzeadas. Quando o ataque é intenso, as folhas secam e
caem, podendo causar a morte da planta atacada.
Ácaros vermelhos
Apresentam cor
vermelha intensa, sendo freqüentemente confundidos, pela semelhança biológica e
comportamento, com o ácaro rajado. Caracterizam-se por tecer abundante teia que
cobre as populações e às vezes as plantas atacadas. Também ocupam a face
inferior dos folíolos.
Ácaro do enfezamento do morangueiro
São ácaros de
pequeno porte, com cerca de 0,3
mm de comprimento. As fêmeas são escuras e os machos são
amarelos. Abrigam-se entre as folhas enroladas da planta. Quando o morangueiro
está em brotação, atacam as folhas novas. Quando ocorrem em baixa infestação,
observa-se apenas um ondulado na face superior das folhas e um pequeno
aglomerado de folhas. Ataques mais severos ocasionam nanismo na parte central
da planta. As folhas novas se não abrem, ficando com pecíolos mais curtos,
perdem a cor, amarelecem, ficam quebradiças, seguindo-se de bronzeamento e
morte. Em ataques intensos, podem ocorrer perda total da lavoura.
Entre os principais fatores responsáveis pelo aumento populacional dos ácaros
fitófagos em morangueiros, destacam-se:
- Utilização de mudas
infestadas;
- Ausência ou baixo nível
populacional de inimigos naturais pelo uso indiscriminado de
inseticidas/acaricidas e fungicidas, principalmente dithiocarbamatos, não
seletivos.
Ácaros predadores no controle biológico
Ácaros
predadores das famílias Erythraeidae, Cunaxidae, Phytoseiidae
e Stigmaeidae foram observados na cultura de morango no Estado do Rio
Grande do Sul. Os fitoseídeos são os ácaros mais comuns e os mais importantes
no controle dos ácaros fitófagos do morangueiro. Onze espécies de Phytoseiidae
foram relatadas associadas à cultura do morangueiro no RS. Neoseiulus
californicus (McGregor, 1954) e Phytoseiulus macropilis (Banks,
1904) são as mais comuns.
Os ácaros da família Phytoseiidae são os mais importantes no controle
biológico dos ácaros fitófagos do morangueiro. Dentro desta família destacam-se
duas espécies:
Neoseiulus californicus
Adultos,
apresentam cor amarelo-palha e corpo alongado. Observado normalmente na face
inferior dos folíolos sob a teia do ácaro rajado ou próximo da nervura
principal. Exerce um controle efetivo sobre as populações do ácaro-rajado e
sobre o ácaro-do-enfezamento (Easterbrook et al. 2001). Este predador é
criado em estufas para realizar a liberação massal e controlar os ácaros-praga
da cultura do morangueiro.
Phytoseiulus macropilis
Adultos
apresentam cor avermelhada e o corpo de forma ovóide. Também é encontrado na
face inferior dos folíolos do morangueiro sob a teia do ácaro rajado ou próximo
da nervura principal. Pode ser visualizado sem o uso de lupa como um ponto
vermelho de rápida movimentação. Quando tocado movimenta-se rapidamente. Ocorre
naturalmente em plantações de morango em que não se usa agrotóxicos. Alguns
agricultores conseguem controlar de forma satisfatória o ácaro rajado somente
com o emprego deste predador, sem a necessidade de intervenção química. Devido
a seu alto consumo de presas e desconhecimento de presas alternativas, é de
difícil criação massal.
Os dois gêneros são importantes agentes de controle biológico adquirindo a cor
das presas nas quais se alimentam. Deslocam-se com muita rapidez em toda a
superfície foliar e predam preferencialmente ácaros tetraniquídeos. Na falta
desses passam a se alimentar de outros ácaros, ninfas de cochonilhas, fungos,
grãos de pólen e de sucos celulares. Os fitoseídeos podem ser multiplicados,
com facilidade, em ambientes controlados, com a finalidade de desenvolver o
controle biológico nas lavouras.
Criação:
Em geral os
ácaros predadores ocorrem naturalmente em todos os ambientes, apenas precisam
de alimento para se multiplicar. Portanto, é conveniente que antes do
estabelecimento do morangueiro, seja semeada em uma estufa própria para isto,
uma cultura que seja atacada pelo ácaro rajado para obter a multiplicação dos
predadores nas imediações (Exemplo: feijão). O predador será transferido para
os morangueiros se for constatada uma infestação do ácaro rajado. Assim é
provável que o primeiro ataque cause dano a cultura mas posteriormente
observar-se-á o equilíbrio.
A forma mais simples de multiplicar os ácaros predadores é através da criação
do ácaro rajado sobre feijão da seguinte forma:
1. Plantar feijão em potes
ou sacos plásticos em alta densidade.
2. Cerca de 14 dias após o
plantio infestar as plantas com ácaro rajado.
3. Quando observar que
todas as folhas já estão atacadas pelo ácaro rajado, liberar o ácaro predador.
4. Caso não se tenha uma
colônia do predador, trazer folhas do campo com alta população do ácaro rajado.
Geralmente há uma associação de ácaros predadores onde existe oferta de
alimento. O ideal é manter uma colônia isolada de predadores.
5. Após a infestação com
material do campo, analisar periodicamente as folhas do feijoeiro e quando
tiver mais predadores do que o ácaro rajado é o momento de levar as folhas para
a lavoura.
Medidas
preventivas e curativas no controle biológico e integrado
- Produção de mudas em áreas
isentas de ácaros fitófagos.
- Plantar mudas sadias, livres
de ácaros fitófagos e isentas de doenças.
- Descartar e eliminar as mudas
com problemas fitossanitários.
- Realizar poda fitossanitária
das folhas e desinfestação pré-plantio com acaricida por imersão das mudas
suspeitas de estarem contaminadas por ácaros
- Plantar as mudas em áreas
não-contaminadas por ácaros fitófagos ou outros problemas fitossanitários.
- Efetuar adubações orgânicas e
minerais equilibradas, com antecedência, de acordo com as análises de solo
e foliar
- Cultivares suscetíveis às
doenças foliares devem ser tratadas desde o início para não prejudicar o
desenvolvimento das plantas. Respeitar a carência dos insumos a partir do
início da frutificação.
- Em áreas endêmicas e com
microclimas favoráveis, antecipar o plantio utilizando cultivares precoces
e resistente às doenças foliares para maximizar a produção antes dos picos
ascendentes do ácaro rajado.
- Monitorar as populações de
ácaros fitofagos
- Manter criações de ácaros
fitoseídeos, em ambientes controlados, para a liberação desses predadores
em lavouras e viveiros infestados de ácaros nocivos.
- Liberar ácaros fitoseídeos nos
ecossistemas infestados pelos ácaros nocivos para manter esses organismos
em níveis de equilíbrio.
- Promover associações de
vegetais cultivados e nativos com morangueiros para possibilitar a implantação
de fitoseídeos e outros inimigos naturais nesta cultura.
Controle
químico
Ocorrendo
ácaros nocivos no período vegetativo, e não sendo suficientes as medidas
preventivas e biológicas de controle, podem ser usados acaricidas registrados
para uso na cultura do morangueiro (Tabela 1). Ocorrendo no período de
frutificação, observar doses e períodos de carência. Controlar primeiro os
focos de ácaros, e depois toda a lavoura, se necessário. Procurar rotacionar os
acaricidas com diferentes modos de ação.
Insetos
Broca-dos-Frutos
Broca-dos-Frutos
(Lobiopa insularis (Castelnau, 1840) (Coleoptera: Nitidulidae) Os
besouros são atraídos para o interior da lavoura, devido aos odores dos frutos.
A broca penetra no fruto, causando danos de dentro para fora. Os frutos
próximos ao solo são mais sujeitos ao ataque da broca que ataca, além do
morango o tomate, pêssego, goiaba, maçã, laranja, melão e melancia.
Controle: De forma preventiva, devem ser eliminados sempre que possível
os frutos hospedeiros localizados nas proximidades da lavoura. Além disso,
colher e/ou destruir os frutos sobremaduros (refugados) dentro da lavoura. Como
forma de controle curativo, pode ser utilizada a isca tóxica contendo o
inseticida malatol (Malathion 500 CE 50 ml) associado a um litro de suco de
morango. Para o preparo, misturar o inseticida com o suco, colocando a isca
dentro de embalagens plásticas como potes de margarina e tampar. As embalagens
deverão ter de 3 a
4 aberturas laterais para permitir a entrada da praga. Distribuir as iscas a
cada 3 metros
de canteiro, perfurando a lona plástica e introduzindo o pote de modo que as
aberturas laterais fiquem ao nível do solo (lona) facilitando a entrada da
praga.
Grilos e Paquinhas
Grilos e
paquinhas (Grillus assimilis, 1775 e Neocurtilla hexadactyla
Perty, 1832) são espécies de grilos e paquinhas, respectivamente, que podem
ocasionar danos às raízes e à parte aérea do morangueiro, durante a noite.
Controle: Quando as pragas surgem após o plantio, preparar iscas tóxicas
com farelo, açúcar, inseticida e água. No preparo adicionar água aos poucos,
mexendo até formar grânulos. Distribuir as iscas pelos canteiros.
Lagarta-Rosca
As chamadas
lagartas rosca recebem este nome pelo hábito de ficarem enroladas durante o dia
e, à noite, podem subir nos canteiros cortando as plantas rente ao solo,
tornando necessário o replantio, quando o ataque é intenso.
Controle: O controle biológico, devido ao parasitismo a campo por
vespinhas e moscas pode variar entre 11 e 21%, segundo informações da
literatura. Para o controle químico, deve-se preparar a isca tóxica,
distribuindo ao final da tarde, nos locais infestados pela praga. Se necessário
pulverizar, fazê-lo com jato dirigido à base das plantas, após o surgimento dos
primeiros focos.
Tabela 1. Preparo de isca tóxica para grilos, paquinhas e
lagarta-rosca.
|
Inseticida malatol 50%
|
50 ml
|
Açúcar comum
|
200 g
|
Farelo
|
2 kg
|
Água
|
(o suficiente para
granular a isca)
|
Fonte:
Embrapa Uva e Vinho
|
Pulgões
Além dos danos
físicos e fisiológicos na planta, os pulgões atuam como vetores de vírus. Na
cultura do morangueiro, são referidas as espécies Aphis gossypii Glover,
Chaetosiphon fragaefolii (Cockerell, 1901) e Cerosipha forbes:
(Weed, 1889) que se localizam na face inferior das folhas mais novas. Podem
estar associados com "formigas lava-pés", também referidas como
"formiga ruiva" ou "formiga de fogo" (Solenopsis saevissima
(f. Smith, 1855)), que integra o grupo das formigas doceiras, normalmente
aparecendo em associação ou simbiose com pulgões e outros sugadores de seiva.
Controle: Geralmente, quando se controla os pulgões a população de
formigas também é reduzida. Entretanto, caso as formigas persistam,
recomenda-se a destruição mecânica dos ninhos.
Tripes
Os tripes são
pequenos insetos cujos indivíduos adultos medem de 0,5 mm a 15 mm de comprimento. Possuem
corpo alongado, asas franjadas e aparelho bucal picador sugador. Quase todos
são fitófagos, sugadores de seiva, mas podem atuar como predadores,
polinizadores, fungívoros (50%) e ectoparasitos, únicos no Brasil.
A reprodução ocorre geralmente por via sexuada podendo ocorrer via
partenogenese. Os machos são, via de regra, menores do que as fêmeas. A postura
dos tripes fitófagos é endofítica. Dos ovos eclodem larvas (dois ínstares
ativos), que se transformam em dois (Terebrantia) ou três (Tubulifera) ínstares
pupais relativamente inativos, de onde emergirão os adultos (remetabolia).
As espécies de tripes mais comuns na cultura do morangueiro são a Frankliniella
occidentalis, Thrips tabaci, Aeolothrips sp., e Microcephalothrips
abdominalis. No Brasil, faltam estudos sistemáticos que definam as espécies
que atuam na cultura.
A visualização do ataque dos tripes no morango geralmente é feita batendo-se as
flores sobre uma superfície branca (papel ou bandeija plástica) para verificar
a presença do inseto.
Os tripes atacam sempre as partes aéreas das plantas (folhas, flores, frutos,
órgãos internos) além de realizar as posturas dentro dos tecidos vegetais. São
sugadores de seiva, como conseqüência as folhas perdem a coloração e surgem
pontos escuros nos locais das picadas.
Nas flores, afetam os órgãos reprodutivos, embora às vezes possam auxiliar na
polinização. Podem provocar a queda dos frutos recém-formados ou causar manchas
e cicatrizes (dano qualitativo) nos frutos em desenvolvimento.
Controle: Eliminar plantas hospedeiras dos no interior do cultivo.
Utilizar armadilhas adesivas de cor azul no interior dos canteiros. Empregar
inseticidas químicos em condições de elevada infestação.
Outras Pragas
Lesmas e Caracóis
As lesmas (Vaginula
sp.) e os caracóis da espécie Helix aspersa (Muller, 1774), Strophocheilus
oblongus Noricand, Bradybaena similaris (Fer., 1921), entre outras,
podem constituir um problema sério quando o morango é cultivado em local úmido,
podendo danificar as plantas e também os frutos, depreciando-os. Estes moluscos
se alimentam principalmente à noite.
Controle: Os moluscos, principalmente as lesmas, são ávidos por farelo e
sensíveis ao Metaldeído. No comércio encontram-se iscas granuladas atrativas á
base de Metaldeído que são eficientes no controle de lesmas e caracóis,
devendo-se, ao aplicar, evitar o contato direto desse produto com a planta.
Também é recomendado distribuir, nas bordas do canteiro, uma faixa de 15 cm de largura com pó de
cal ou cinza, que se adere ao corpo dos moluscos imobilizando-os e evitando que
consigam se alimentar das plantas.
Nematóides
São também
importantes vetores de vírus do morangueiro. Na cultura, destacam-se três
grupos de nematóides que podem danificar o cultivo a) aqueles que atacam as
raízes, mas não apresentam sintomas evidentes, como no primeiro caso, podendo
induzir a diagnósticos equivocados de deficiências minerais no solo (Pratylenchus
vulnus, ou "nematóide das lesões das raízes"); b) aqueles que
atacam as folhas novas, tornando-as reduzidas e malformadas (Aphelenchoides
besseyi, agente do "enfezamento do morangueiro") e c) Meloidogine
hapla é conhecido mundialmente como causador de galhas. A. besseyi vive como
ectoparasito das folhas que se acham em desenvolvimento no broto, proliferando
em temperaturas elevadas. A espécie P. vulnus provoca a redução do
sistema radicular e da parte aérea da planta, simulando sintomas de deficiência
de minerais.
Controle: Medidas preventivas: obter mudas sadias. Mudas suspeitas devem
ser eliminadas (queimadas) a fim de evitar a contaminação de áreas sem
nematóides. Práticas culturais: áreas contaminadas devem ser preparadas por
último, para não alastrar o problema; revolver o solo das áreas contaminadas em
dias quentes para expor os nematóides à dessecação pelos raios solares; adotar
a rotação de culturas com espécies não suscetíveis aos nematóides; plantas com
sintomas de enfezamento devem ser eliminadas da lavoura.
Tabela 1. Fungicidas, inseticidas e acaricidas registrados no
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para uso na cultura do
morango.
|
Nome Técnico
|
Produto comercial
|
Dose (g; ml/100L)
|
Carência (Dias)
|
Classe Toxicológica
|
Abamectin
|
Vertimec 18 CE
|
50-75
|
3
|
III
|
Azoxistrobina
|
Amistar
|
96-128 g/ha
|
2
|
IV
|
Cyhexatin
|
Cyhexatin 500
|
50
|
14
|
III
|
Difenoconazol
|
Score
|
40ml/100l
|
7
|
I
|
Dimetoato
|
Tiomet 400 CE
|
3
|
3
|
I
|
Dodina
|
Dodex 450 SC
|
85 ml/100l
|
14
|
I
|
Enxofre
|
Suficamp
|
300
|
SR *
|
IV
|
Fenpiroximate
|
Ortus 50 SC
|
100
|
5
|
II
|
Fenpropatrin
|
Danimen 300 CE
|
65
|
3
|
I
|
Fluazinam
|
Frowncide 500 SC
|
100ml/100l
|
3
|
II
|
Imibenconazol
|
Manage 150
|
75-100g/100l
|
14
|
II
|
Iprodiona
|
Rovral SC
|
150ml/100l
|
1
|
IV
|
Malatol
|
Malathion 1000 CE
Cheminova
|
100
|
7
|
II
|
Malathion 500 CE
Cheminova
|
200
|
7
|
II
|
Malathion 500 CE Sultox
|
200
|
7
|
II
|
Oxicloreto de cobre
|
Ramexane 850 PM
|
250g/100l
|
7
|
IV
|
Pirimetanil
|
Mythos
|
200ml/100l
|
3
|
III
|
Procimidona
|
Sialex 500
|
500-1000g/ha
|
1
|
II
|
Procimidona
|
Sumilex 500 PM
|
500-1000g/ha
|
1
|
II
|
Propargite
|
Omite 720 CE
|
30
|
4
|
II
|
Tebuconazol
|
Constant
|
75ml/100l
|
5
|
III
|
Tebuconazol
|
Elite
|
75ml/100l
|
5
|
III
|
Tebuconazol
|
Folicur PM
|
750g/ha
|
5
|
III
|
Tebuconazol
|
Folicur 200 CE
|
75ml/100l
|
5
|
III
|
Thiamethoxan
|
Actara 250 WGR
|
10
|
1
|
III
|
Tiofanato-metilico
|
Fungiscan 700 PM
|
70g/100l
|
5
|
IV
|
Tiofanato-metilico
|
Metiltiofan
|
90g/100l
|
14
|
IV
|
Tiofanato-metilico
|
Cercobin 700PM
|
70g/100l
|
14
|
IV
|
Tiofanato-metilico
|
Tiofanato Sanachem 500
SC
|
100ml/100l
|
14
|
IV
|
Triforina
|
Saprol
|
150ml/100l
|
2
|
II
|
*
SR - Sem restrições
|
COLHEITA
Maturação e prática de colheita
A maturação
dos frutos começa entre 2 a
3 meses depois do plantio e estende-se por até 7 meses, dependendo da região
onde é cultivado. A distância do mercado, a cultivar e a preferência do
consumidor vão determinar o ponto de colheita do fruto.
A maturidade na colheita tem um efeito significativo na vida útil dos morangos.
Frutos destinados ao mercado de frutas in natura são geralmente colhidos com ¾
de coloração vermelha. Para comercialização em mercados mais próximos, podem
ser colhidos mais maduros, o que lhes confere melhor qualidade sensorial.
Frutos muito maduros são destinados à indústria.
O período de carência dos produtos fitossanitários empregados na cultura deve
ser respeitado para que os morangos estejam isentos de resíduos que possam
colocar em risco a saúde do consumidor.
A colheita deve ser feita nas horas mais frescas do dia, através de corte do
pedúnculo ou cabo, colocando-se os morangos nos contentores com o máximo de
cuidado. Os frutos devem ser resfriados o mais rapidamente possível (até duas
horas após a colheita), para evitar a rápida maturação e deterioração.
Os frutos devem ser colhidos, de preferência, diretamente nas embalagens que
vão para o mercado. Uma pré-seleção dos morangos no campo evita o contato de
frutas sadias com frutas podres (que contém inóculos de fungos) e reduz o
manuseio, diminuindo a ocorrência de lesões visíveis e não visíveis, que
servirão como porta de entrada para podridões.
Se não for possível realizar a colheita diretamente nas embalagens, os frutos
devem ser colhidos em caixas próprias para colheita e levados rapidamente para
a casa de embalagem ou empacotadora, que deve ser mantida em perfeitas
condições de higiene e livre de restos de frutos, caixas usadas, frutos
descartados ou qualquer outro tipo de sujeira. Nunca se deve despejar sem
cuidado os frutos das cestas de colheita sobre a mesa de classificação.
As mesas de classificação devem ser limpas com água e hipoclorito de sódio e os
manipuladores dos frutos devem lavar as mãos e ser orientados para observarem
normas de higiene pessoal. Próximo às mesas de classificação, deve sempre haver
uma pia com torneira, água, sabão e papel descartável para os trabalhadores
fazerem a higienização das mãos.
Classificação
Classificar é
separar o produto em lotes homogêneos. A classificação dos morangos deve ser
feita, no mínimo, de acordo com o tamanho e coloração (maturação).
Embalar na mesma caixa morangos de diferentes tamanhos, graus de maturação,
cores, sanidade e qualidade, além de desagradar o consumidor, desvaloriza o
produto e não permite que um preço justo seja praticado. A reunião, na mesma
embalagem, de frutos sadios com frutos podres coloca em risco a sanidade de
todo o conjunto de frutos.
Manuseio
Os morangos
estão entre as frutas frescas mais perecíveis e necessitam de extremos cuidados
no manuseio durante a colheita e pós-colheita. Seus tecidos, muito macios e
facilmente danificáveis, estão sujeitos a invasões por organismos que causam
apodrecimento dos frutos e severas perdas pós-colheita.
A supervisão cuidadosa das operações de colheita e manuseio, procurando evitar
lesões nos frutos colhidos, pode fazer com que as perdas sejam minimizadas.
Os morangos apresentam alta taxa respiratória, que aumenta com a elevação da
temperatura e com a ocorrência de danos mecânicos. Quanto mais elevada a taxa
respitratória do fruto, mais rápido é seu metabolismo e mais rápida sua
senescência. Portanto, a manutenção dos frutos em temperaturas baixas e a
manipulação cuidadosa têm efeito benéfico na vida de prateleira e no controle
da ocorrência de injúrias durante o manuseio e transporte dos frutos.
Embalagem
As embalagens
comercialmente utilizadas são cumbucas transparentes de polietileno tereftalato
(PET) ou bandejas de poliestireno expandido (isopor), com capacidade de 250 a 500 gramas de morangos,
dispostos em uma ou duas camadas. As cumbucas normalmente são cobertas com
filme de polivinil cloreto (PVC) esticável ou com tampas perfuradas. Quatro a
seis cumbucas ou bandejas são acondicionadas em uma caixa paletizável de
papelão ondulado, na qual são transportadas. Morangos destinados à venda para a
indústria são acondicionados em caixas plásticas com a fruta a granel.
A permeabilidade e espessura dos filmes que cobrem as embalagens devem ser adequadas
para evitar a fermentação dos frutos. A perfuração das cumbucas ou caixas de
papelão deve ser adequada para permitir perfeito resfriamento das frutas e a
qualidade do papelão deve ser garantida para se evitar desmoronamento das
caixas e amassamento dos frutos, principalmente em ambientes com alta umidade.
Armazenamento
Rápido
pré-resfriamento e subsequente armazenamento sob baixas temperaturas são
importantes para a manutenção de boa aparência, firmeza e valor nutritivo dos
morangos. Atrasos no pré-resfriamento resultam em aumento de perda de água, que
se evidencia no murchamento dos morangos e na desidratação do cálice (parte
verde).
Durante o armazenamento deve-se manter a temperatura da câmara fria de 0 a 1ºC e a umidade relativa
entre 90 e 95%. Essas condições devem ser constantemente monitoradas e os
equipamentos para seu controle, periodicamente aferidos. Baixas concentrações
de O2 e altas concentrações de CO2 também exercem efeito benéfico à conservação
dos morangos, sempre observando-se as concentrações ótimas para que não ocorra
fermentação e ocorrência de sabor estranho nos morangos.
Transporte
O caminhão
onde os morangos serão transportados deve estar limpo e refrigerado antes do
início do carregamento das caixas.
A temperatura nas caçambas é mais elevada próximo às paredes que no centro da
carga. Por isso, o palete deve ser posicionado no centro, tomando-se as devidas
precauções para que as caixas se mantenham empilhadas.
Deve-se ter muito cuidado com a mistura de cargas e monitorar a temperatura dos
outros produtos antes do carregamento para que os morangos não sejam aquecidos
pelo contato com produtos não resfriados.
Mesmo que haja exposição a altas temperaturas (quebra da cadeia do frio) em
alguma etapa do manuseio e transporte, é sempre melhor providenciar o
resfriamento quando possível do que nunca resfriar.
GLOSSARIO
Brácteas - estrutura foliácea, modificada, geralmente reduzida.
Endofítico - que se desenvolve dentro da planta
Fasciculado - sistema radicular no
qual as raízes não possuem um eixo principal, apresentando-se com comprimentos
e diâmetros relativamente uniformes entre si.
Fitófago - que se alimenta de
plantas.
Fungívoro - que se alimenta de
fungos.
Hemicíclica - flores cuja inserção
das pétalas no receptáculo floral se dá no mesmo nível.
Hermafrodita - organismo que possui
tanto os órgãos reprodutores masculinos quanto femininos.
Instar - fase de
desenvolvimento dos insetos no período jovem (imaturos). Material básico
indexado - fonte de material propagativo (estolões, estacas, mudas, raízes
ou gemas) submetidas a testes biológicos ou bioquímicos que indicam a ausência
do vírus, indicando que a planta proveniente deste material básico é livre
deste patógeno.
Paternogênese
- tipo
de reprodução em que não há necessidade dos machos.
Planta
estolonífera - planta que possui a capacidade de originar estruturas de propagação
denominadas estolões, que consistem em prolongamentos vegetativos que originam
novas plantas.
Pupa - fase de
desenvolvimento dos insetos que antecede a fase adulta, comum em Lepidoptera
(lagartas) e Coleóptera (besouros).
Racimo
floral
- inflorescência em que o eixo principal é alongado e as flores possuem
pedicelos de comprimento quase igual.
Rizoma - caule subterrâneo,
mais ou menos horizontal.
MENOS FUNGOS
No geral, aliás, a sanidade no novo sistema é tão
superior que Carbonari diminuiu em 90% as aplicações de agrotóxicos na
plantação vertical. “O único fungo mais propenso à difusão dentro das estufas é
o oídio”, explica o pesquisador Flávio Fernandes. Mas o novo sistema, segundo
Carbonari, possibilita que o controle da praga seja feito exclusivamente na
planta atacada, o que diminui sensivelmente o desconforto com o tempo de
carência para a colheita, exigido após a aplicação de produtos tóxicos.
Não menos importante na lista dos bons resultados da hidroponia vertical é o
posicionamento dos frutos. Por não estarem em contato com nenhuma superfície,
eles podem ser colhidos num estágio mais avançado de maturação, o que aprimora
seu sabor. As perdas são menores e o próprio trabalho de colheita é
visivelmente facilitado, “para a alegria das nossas funcionárias”, afirma
Carbonari. Dono de uma pequena indústria de congelamento de polpa de frutas, o
produtor, que também fornece morangos para laticínios, pretende diferenciar o
produto hidropônico do convencional vendendo o primeiro como alimento especial,
mais saudável, para consumo de mesa. E, se tudo der certo, em um futuro não
muito distante, todos os morangos dos Carbonari estarão pendendo do teto de estufas.
NOTICIA DE PESQUISADORES
Pesquisador ensina cultivo de morango e tomate
hidropônicos
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26-Mar-2007
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Tanto o morango quanto
o tomate são culturas altamente sensíveis ao ataque
de pragas na agricultura, ainda mais quando existe a intenção de produzir a
fruta sem agrotóxico. “Todos os bichinhos querem saboreá-los”, comenta o
professor do laboratório de Hidroponia da UFSC, Jorge Barcelos. Mesmo com
essa dificuldade, Barcelos trabalha com as duas culturas desde 1998. Nos
primeiros anos, a produção teve grandes quedas devido ao ataque de pragas e a
inexperiência no cultivo. Hoje, com o conhecimento adquirido, o professor
afirma que a produção é mais fácil.
Para ter frutos de qualidade,
a muda do morango deve ser de alto padrão. Desde o ano passado o Laboratório
de Hidroponia da UFSC utiliza mudas importadas do Chile. Elas chegam em
caixas e depois são separadas de acordo com o tamanho do sistema radicular.
Desde que começou a produzir
morangos e tomates hidropônicos o Laboratório de Hidroponia tem feito várias
experiências para melhorar o cultivo. Uma delas, adotada em 2006, foi furar
copinhos de PVC, pegar o substrato e acomodar as raízes de forma mais
apertadas, para guardar melhor a umidade. A experiência deu tão certo
que um dia e meio depois as plantas já estavam querendo botar folhas. Dois
meses depois elas estavam muito vigorosas, com alta qualidade, porém, algumas
doenças começaram a surgir nos morangos.
O professor ensina que a causa de frutos mal
formados pode ser a falta de polinização e a estufa fechada. Outra
dica é quando a folha do morango é atacada aparentemente por ácaros e trips.
Na realidade, pode ser percevejo, conforme vemos na foto abaixo. Para acabar
com o oídio no morango, a dica do professor é cortar todas as folhinhas que
apresentam o problema.
Caso a
planta crie florzinhas muito cedo, a sugestão é tirar as flores para que o
morango possa se estabelecer e não enfraquecer. Já se acontecer o contrário e
a planta parar de produzir flores, é necessário colocar uma solução especial
para a flor, que diminua o nitrogênio e aumente o potássio e o cálcio. Com
dois ou três dias de tratamento, a planta já estará tratada e a solução pode
voltar ao normal.
Segundo o professor,
entre as causas para a deficiência da planta estão a falta de manganês, ferro
ou magnésio. Caso o produtor utilize a casca de arroz carbonizada como substrato,
a causa pode ser o excesso de zinco. Se as pontas de folhas ou do fruto estão
queimadas, mortas, o problema pode estar na falta de cálcio e boro.
No sul do Brasil, o
maior problema para a produção de tomate é a requeima (Phytophtora infestan), que produz uma
mancha irregular na folha da planta. A dica, para combater é colocar sílica,
numa proporção de 1mL para cada mil litros de solução. Para tratar o oídio (Oidium lycopersici) a solução é
aplicar leite.
Tanto para a produção
de morango quanto para o tomate, a dica do professor, caso o produtor queira
frutos sem agrotóxico, é fazer uma barreira física, ou seja, colocar tela na
plantação. Além disso, cuidar com os inimigos naturais que vem do chão,
quando este está cheio de vegetação.
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Os técnicos da Emater/RS-Ascar levaram uma nova forma de
plantio de morangos semi-hidropônicos para os agricultores da Ilha dos
Marinheiros, na cidade de Rio Grande, município da metade-sul do Rio Grande do
Sul. Esta forma de cultivo traz uma série de vantagens ao produtor, como o
plantio em substratos, colocados em sacos brancos, conhecidos como
travesseiros, onde as mudas são plantadas.
O substrato pode ser uma mistura de casca de arroz carbonizada e esterco de
curral curtido. O espaçamento entre os pés de morangos chega a 30 cm, de forma a dar um bom
desenvolvimento à planta, que recebe por meio de gotejamento a água e o adubo
solúvel.
Uma das diferenças do cultivo semi-hidropônico para a plantação em solo é a
adubação. Dessa forma, a terra recebe uma quantidade de adubo na época do
plantio e continua apenas com a fertirrigação. A vantagem do cultivo
semi-hidroponico é que a planta recebe adubação desde o plantio até a
frutificação. Neste caso o pé de morango recebe o adubo solúvel durante três
vezes por semana, obtendo os nutrientes necessários durante todo o processo, na
medida certa.
- O sistema semi-hidropônico permite que o agricultor coloque os travesseiros
com substrato em bancadas ou dentro de estufas, fazendo com que o agricultor
possa trabalhar com as bancas na altura que desejar, melhorando o bem-estar de
quem trabalha na cultura - afirma o agrônomo da Emater/RS-Ascar, Marco Moro.
O morango semi-hidropônico pode ser colocado em estufas ou em túneis baixos e
fica coberto por um plástico transparente. Além de proteger contra ventos frios
e chuvas forte, a cobertura armazena uma quantidade maior de calor, acelerando
o desenvolvimento e a frutificação.
Na Ilha dos Marinheiros, em
Rio Grande, um casal é pioneiro no plantio do morango
semi-hidropônico. O agricultor Paulo Machado e sua esposa Dulce cultivam
hortigranjeiros há mais de 20 anos e há quatro meses plantam morangos
semi-hidropônicos, disponibilizados em quatro canteiros, totalizando 1,3 mil
pés. Para a família, que participa da feira do agricultor na Praia do Cassino, em Rio Grande, os morangos
semi-hidropônicos são muito procurados.
- Quem leva pra casa o morango acaba sempre voltando em busca de mais, por
causa da aparência. São frutas bem vermelhas e com muito sabor - afirma
orgulhoso Pablo Machado, filho do casal.
Fonte: Emater/RS
Segundo agricultor, técnica apresenta vária vantagens, entre
elas o aumento de rendimento por área
Canoinhas/SC - Uma técnica de cultivo de morango orgânico pelo sistema de
hidroponia vertical começa a ser utilizada
em Canoinhas. Na
hidroponia, substitui-se o solo por uma solução em água ou substratos, contendo
apenas os elementos minerais indispensáveis aos vegetais. Além de propiciar
resultados positivos para o produto final, a hidroponia tem um mercado pouco
explorado. O novo sistema permite o cultivo vertical de morangos, em estufa. As mudas ficam
em sacolas plásticas cheias de bagaço de celulose e presas em estacas, com
irrigação hidropônica.
Segundo o produtor João Gilberto Alves, 31 anos, a nova forma de cultivar
morango apresenta diversas vantagens, tais como o aumento de rendimento por
área, melhor aproveitamento do ambiente protegido, redução de riscos de doenças
de solo e eliminação total de defensivos agrícolas, facilitação da mão-de-obra
e exigência de menor esforço físico, sem riscos de contatos com agrotóxicos,
melhoria na qualidade dos produtos, com melhor conservação e sabor, isto em
razão da produção ser feita em ambiente protegido.
Os irmãos produziam morangos pelo sistema tradicional, plantados no solo desde
1998, porém não pensaram duas vezes em mudar a técnica de plantio quando
descobriram o sistema de hidroponia orgânica. Nas quatro estufas, cultivam mais
de 24 mil mudas de morango. Todas as mudas da variedade "Camarosa"
são importadas do Chile. Graças ao cultivo protegido e ao clima propício da
cidade, os produtores conseguem colher quase uma tonelada de morangos por mês,
durante dez meses do ano.
Por enquanto, toda a produção dos irmãos é comercializada em restaurantes e
supermercados de Canoinhas, mas para o próximo ano, pretendem construir mais
quatro estufas e abastecer toda a região.
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